domingo, 6 de fevereiro de 2011

bolero de ravel

absorvendo os solenes acordes,
e reabsorvendo a pretérita emoção
a imaculada esperança
se deteriora a cada grito.
perco a fé nos sentimentos alheios
e fecho as mãos
perante a idéia de que não se quer
fazer novo amor
sem desejo,
sem cortejo
percevejo vejo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

germinal

um verde lençol lançou-se dos afáveis olhos
enrolando-me como forte abrigo contra a chuva
e por de dentro, um cálido ar
que abraçava e sussurrava:
não precisa ser tão solitário
coroando as estrelas com apreciação
de estar ali, agora
meio a um gesto de afago ao fogo
que sorri perante uma semente que abre os braços
obelisco dos novos ventos
germinal de possibilidades...
agora possíveis.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

deságüe

frente a uma certeza, tremo.
certeza esta já remota, pretérita
mas certeza ainda assim.
o meu doar corrente mais uma vez tropeça a mim
quebra-me um dente, esparrama alecrim
enfeita-me com melancia cortada
assim como meus pulsos em sonhos.
pesadelo?
não.
apenas um luto pelo qual aclamava
nas profundezas da agonia
um ar, um pontapé
e pitada de fé.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

no meio do caminho havia uma pedra

a nefasta sensação de pedra na estrada
me traz o pesar de existir.
por que será que não consigo afastar-me
para que desabroche a linda flor?
sim, sem a pedra a liberdade flui;
mas a que preço?
sem as raízes da flor não me apeteço
e vai-se voando com elas todo o meu apreço...

mas a inútil pedra deve encontrar energia
forças, para rolar para longe
longe do caminho tropista
do crescimento da flor em direção à luz
e trepidar até a sombra da encosta
as trevas da borda
da margem
para que pelo amor de deus
não seja avistada
fardo da escuridão.

lacuna entre beijos

passei pelos pretéritos com uma lacuna física
mas o presente tem trazindo outros estilos
outros buracos, outros brancos
que são os por dentre os beijos na bochecha.

a lacuna do calor e dos suspiros
dos anjos encobrindo-nos com suas asas
do meu refúgio nas ondas loiro-escuras
do laço entre pernas na cálida penumbra
do afago ronronoso ao raiar da manhã

a lacuna tão querida a ti
tão aclamada, tão imperativa
que me faz repelir-me para longe
em nome de tua realização
de tua completude.

i'm going back to the start

mágoas gosmentas

página em branco
me atormenta e me sacode
a fim de soltar a costura entre o palmo e a boca.
ah, o terror de que esses laços se desfaçam!
que a cachoeira de cola polar se deslanche
num avalanche de cutucadas e puxões.

ai de mim,
criatura esponjosa
pegajosa
repulsiva aos olhos instigantes
cujos braços esticados a ninguém apetece
como imerso em bolha verde
achatando castelos de areia ao atravessar
andando em direção ao amor
coberto por gosma mal cheirosa.

nem um abraço, nem um beijo
o monstro tem chance de ganhar.
corcunda de angústia, umidecem os olhos tristonhos
águas das mágoas dissolvem a costura
e os braços carentes são enrolados em torno de si.
o verde líquido então jorra mais e mais,
grudando pelas pernas
e pelo tronco
pescoço
até que enfim o monstro é encurralado
e afogado por sua própria carência,
em sua bolha
em sua solidão.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

cobertorzinho

feito cobertor transicional jazo no fundo do armário
nadando congelada pelas trevas do esquecimento,
à mercê de qualquer tenro desejo de acolhimento
que o faça abrir as portas
e iluminar meu rosto
com ternura tal que diga:
ah, cobertorzinho
como pude passar tantos milênios sem abraçá-lo?
e assim meu tecido tremerá de sorrisos
na esperança de que seja uma vez por todas útil
de que meu carinho seja necessário e almejado,
assim como a uma criança e para sempre será.

mas meu dono já cresceu
meu trabalho se deu por finito.
e após alguns minutos de aconchego ele se realiza
ao sentir minha textura e meu aroma, em um momento de fraqueza
a partir dos quais recobre as energias
para mais alguns anos de potência.
assim, o cobertor recebe um último abraço
antes de ser devolvido àquele coração de traças
que o devorará, vivo, pouco a pouco
sem que aquele o perceba
pois sua vida segue, e a do cobertor, extingue.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

poço do absurdo

espíritos do cansaço arrastam-me para o poço
poço arenoso dos arrependimentos
caio, e agonizo por uma brecha
no meu coração e nos dos que me amam.

recaio em reclusão,
tento abraçar as vidas no entorno
mas são apenas águas-vivas
que aterrorizam-se com o meu amar
e assassinam-me com o seu queimar...

desmaio então no duro fundo do poço
semicerro os olhos e despeço-me das memórias
de lá de cima, do mundo novo e velho
ao seguir com os braços os reflexos da luz
que dançam pelas minhas pernas
varrendo-me para qualquer outro lugar
algum outro algoritmo
que me reajustará a outros sofrimentos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

comédia grega

uma filosofia também é máscara.
deixar que falem por nós é comportamento típico do camelo no deserto,
movendo-se mais e mais em oposição à criança...
e mais uma vez a metalinguagem me invade e me mima;
confortando-me para que eu não me encontre comigo mesma
ou com o que posso ser, posso pensar, posso sentir
os símbolos me movem
não sei se à vida ou à morte
mas pelo menos não estagno...
ah! ser um incompreendido
à frente, infeliz
um idiota
e encontrar em sapatos vermelhos
o sonho de um lar
de um místico beijo de almas
uma razão para viver

mas tudo isso também são máscaras
que só seriam possíveis na lacuna
- o que também foi emprestado -
quando extorquirei de mim testemunhos genuínos?
quando o parafrasear me libertará?

eclipse

20-21.12.10


O que eu mais queria era unir-me a toda aquela grandeza, ao universo-penumbra sepulcral enfeitado com estrelas. Os astros eram as jóias que cintilavam a madrugada, a reluzência da névoa que costurava o horizonte. O mar e o céu refletiam-se em duas realidades mútuas, cujo rasgo libertaria o buraco negro que, narcísicamente, toda a Terra sugaria para si. Almadiçoado e sagrado, o laço entre esses universos exprimia, para mim, o casamento entre a alma e o corpo, Deus e humanidade... o amor dos pólos se fez no horizonte. Ele é a esperança da consumação entre todas as coisas, repelidas pela indiferença.
O tempo não existe no horizonte. A união desmancha a dimensão dos segundos do existir e o transforma no viver. O enovelar das grandezas me rouba lágrimas, e choro rezando pela fantasia da completude. Pelas costas, a expressão pura da falta, a lacuna se apoderando da Lua: o negro a devora, anunciando novas Eras. O paradoxo me seduz, e me arrasta pelas suas correntezas... regadas pela esperança, pelo risco, pela vulnerabilidade.

Eu amo o cheiro de vida pela manhã.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

conjugado em ipanema

minha avó prende-se aos pretéritos.
minha mãe aos futuros.
e eu, ao futuro do pretérito.

borboletas

borboletas invadem-me
ao centro, uma rede de possibilidades
à esquerda, o frescor das gotas
à direita, uma pilha de conhecimento em potencial

o que mais?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

dedos entrelaçados em solidão

dedos entrelaçados em solidão
ilustram a rede de espetáculos na qual estamos encarcerados
retorncendo para que lá encontremos algo vivo
que nos salve do desespero
resgate para um mundo incandescente
mais do que reluzir,
mais do que refletir.

cá estamos então duas folhas de papel em branco
uma frente à outra, rezando por qualquer centelha
que possa emergir num fogaréu
e nos mova, nos cative e nos consuma
para que pelo menos uma vez vivamos...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

wanderlust

folheando páginas amareladas
engreno em uma trilha vespertina
por dentre folhas de gelo e cerejas de cristal
dimensão de tempo descontínuo
fragmentado
cujas luzes refratam em prisma
num arco-íris estrelado que rouba meu ar
para que ele respire por mais tempo
e brilhe tal como os lençóis das suas cores.

contemplo esse espetáculo
desejando transmitir para meus amores:
rabisco rascunhos desse mundo
na contracapa de um García Márquez
e o deixo em uma praça qualquer
à deriva
para que alguém o decifre...
e com um beijo de boa sorte
faz-se amuleto.

dedico-lhe ao amor,
e tatuo minha devoção com negra tinta
ao fazer germinar de mim as tais palavras:
àquele que achar paixões e vivê-las,
que descubra a autopoiese de transformar e ser transformado,
de derreter em si e no outro,
de libertar os sentimentos ao princípio da incerteza,
o mágico movimento do universo em uma pequena esfera
que vaga cravando seu nome
wanderlust.

extrato: Goethe, sobre Homero

"E quando, então, gemendo de dor, ele ergue o olhar para a doce estrela vespertina que se oculta no mar proceloso, o passado revive em sua alma heróica, passado em que o astro, com seus raios propícios, ainda iluminava os bravos em meio dos perigos, e a lua derramava a sua luz sobre o navio que regressava vitorioso e enguilhandado. Leio-lhe na fronte a mágoa profunda..."

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe

domingo, 12 de dezembro de 2010

carta encardida

rabisco duas letras e suprimo
recolhendo-me a meu estado melancólico
para não contagiá-lo ou apodrecê-lo
e liberar a corrente tal como ela é
enquanto o assisto distante quebrar e crescer.

nado rumo a nada
estado aquoso e amorfo,
buraco negro do meu peito gira em torno do seu próprio eixo.
ato-lhe se transparecer qualquer desejo
qualquer imensidão que lhe chame ao destinatário
a fim de traduzi-lo seus mais íntimos pensamentos
como sempre o foi, como sempre.
agora deve deixá-lo, ao caos
e acolhê-lo com o seu silêncio
frente às barbaridades espartanas que sangram meu ouvido.

se perder ou esquecer o endereço
daquela carta encardida pelas lágrimas
tinta apagada pelas brocas
vasculhe no fundo falso
os mil bilhetes perfumados com nada escrito
escondidos pelo tempo, por amor
distante.

broca

minha existência é marcada por pingos salgados.
a lacuna se desenrola em um continuum
frente ao fantasma do seu corpo nu
cada centímetro todo o amor do mundo.

nada é o meu entorno,
é o lado direito solitário da cama
é o que corrói poro por poro
abocanhando um tiquinho a cada dia
broca da minha condição humana,
do meu desespero e do meu absurdo.

cílios molhados umidecem minha carência,
sonhos estuprados soltam farelo
sujam meus lençóis e não consigo mais dormir
aterrorizada ao lembrar da manhã
e dos abraços que não receberei
dos cabelos em que não me afagarei
dos planos que não cumprirei...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

wanna whole lotta love

dançam em mim delírios suados
de curvas quentes que enroscam-se e dilaceram-se
meio a uma sinfonia led zeppelin
em que unhas e dentes destroçam a cada riff
e a visão embaralha dentro d'um caldeirão.

ata-me! me come sem piedade
arranca-me as madeixas que arranco as tuas
aos gritos cala-me e engole-me com teu beijo
enquanto cravo labirintos vermelhos em tuas costas
e perco-me na luxúria desse sonho
na violência voraz da tua pele.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

buñuelísticamente

suas vozes me chamam,
como chama o pintainho por sua mãe
carente no ninho
por um afago, por um carinho
uma asa que o cubra.

é assim que amoleço ao ouvi-los
um pedaço de pão embebido em achocolatado
um doce-com-salgado
que ninguém quer e ninguém gosta
apenas por pseudo-gourmets apreciado
degustado como peça única na prateleira
apenas para ser olhada, sem eira nem beira.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ode às minhas lagostas

amo dois sítios,
um distante e próximo
e outro próximo e distante.

desfaço-me para me ater a algum,
mas deparo-me com a indisposição de fundir-se em um
como se o meu amor fosse demasiado urrante
ou não amarrado o bastante.

nas rimas me acolho
à procura de um canto escuro
onde possa espiar no mágico olho
os olhos de cada sítio, vida por vida
e muro por muro.

mesmo que não me amem
queria poder desejá-las o meu melhor
e que um dia talvez tracemos esse ardor de amor
tão lindo, meu bem
tão puro...

o mesmo gosto sem gosto

mordo a maçã,
o pêssego, o abacaxi
e me afogo no nada
numa baía de marolas
quando necessito levar o caixote
encaixotar-me e desesperar-me
sem muito motivo
me motivo?

distante

pego emprestado os versos de outrém
para fugir do que tenho a dizer
tanto pelo medo
tanto pelo dedo
quanto pelo dado
pré-fabricado
que o outro atirará em ombros meus
contra os meus
só para cumprir seu papel de afago.

sem saber, entreguei-lhes o meu todo
de um modo ou de outro
poderíamos fazer nascer uma linda história
tecida entre versos e acordes
filosofias e ficções
tão seus e tão meus
unívocos em um abraço,
a fantasia desenhada em papel almaço.

sou um ser de mil amores
mas só queria perguntar
"dos versos meus, tão seus que esperem
que os aceite em paz
eu digo que eu sou
o antigo do que vai, adiante
sem mais, eu fico onde estou,
prefiro continuar distante..."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

maçãs enrubecidas

vergonha:
é o que te recolhe e te encolhe
quebrada
catando os resquícios de uma emoção
que esforça-se para abraçar
e apertar, até algo puro escapulir
tão puro que me faça mais do que lacrimejar
eu quero é gritar, é urrar
por tudo o que me aflige
por mais simbólico e insignificante que seja!
a couraça é tatuada pelas mínimas agulhas
que unidas, cravam
em sangue, em chamas
a angústia.
tímido sentimento que lhe devora;
e lhe amassa
até que alguém o rasgue
o enovelado em inutilidade
o caráter mastigado

terra salgada

abatida
batida enquanto à parte
os golpes da batedora me remexeram,
violentaram-me como alarme que estupra meus sonhos de madrugada
e lhes trazem às sombras
sem referência, sem entorno
um ponto no escuro.

fenômeno singular que foi estraçalhado,
restando nada mais que migalhas
do que um dia seria para ser.
enquanto finjo uma vida objetiva
assisto com os ouvidos seu laço
cujo nó me impede de entrar,
e com isso amarra também minhas doces formas oníricas
de modo que eu permaneça com a companhia, senão, de mim
de minhas tristezas e medos
que enfim devo encarar sem raízes...

sem flor, sem perfume, sem rosa, sem nada

frente à derrota recolho-me a meus sonhos
dia último do mês penúltimo,
novembro me trouxe bons mares.
agora a maré se resguarda,
a bruma dissolve as expectativas
que fizeram-se espuma.

de onde vem a calma
que agora viola-me com falos de seda
silenciando-me com um pano quimificado
que corrói, penetra
e rasga meu âmago
até o capotar no chão
sozinha e esquecida
pois não há braços para os quais cair.

renegada, polvilho a pólvora que povoa o cio
e retenho-a retalhada,
como quem aborta os próprios desejos
em nome da sanidade
com as mãos entre as coxas,
e a rosa de hiroshima entre as mãos...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

e o rio de janeiro continua lindo???

É o mundo que anda hostil
a pomba carregada de fuzil
pra metralhar a puta que o pariu.

aplausos
para os grandes homens que estouram os miolos
dos que explodem outros?
paradoxo inexorável
auto-sustentável
e abominável...

sinto-me uma fina voz
agorando por ideais esquecidos
convertidos em valor real
real, demasiadamente real
que silencia os sonhos
esmaga os desejos
etiqueta as auras.

como voar por aí flutuando em altas freqüências
se nenhum ouvido é apto ao agudo?




(título dedicado à matéria do jornal O Globo logo após a tomada do complexo do alemão)

domingo, 28 de novembro de 2010

banho-me em fantasias e ensaboo-me em expectativas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

américas

hello, hello
is there anybody in there?
navego sem navio, sem capitão
meio a ondas de angústia
que quebram a cada hipocrisia
um "tudo bem?" corriqueiro
sem nem mesmo uma análise do rosto receptor
chegando a meus olhos ensebados
meios-gritos abafados em lenços de papel.
tanto é obrigação o cumprimento como o é as minhas lágrimas...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ressonância

quaisqueres pequenas pedradas parecem ressoar
como ondas beta e teta, graves
enclaves
cujos golpes fazem a represa balançar
e vazar em gotas,
reprimidas contra a gravidade
pela falta de sentido,
pela ríspida destreza
pela razão apolínia
não condizentes a meu sangue latino
minh'alma cativa
quebrei a lança,
lancei no espaço:
um grito, um desabafo

é, nessas alusões e ilusões
encontramos nossas faltas
desejos, sofrimentos
páthos:
é o que purifica
pré-requisito pra renascer
replantar
o grão nosso de cada dia
dia após dia.

domingo, 14 de novembro de 2010

abalo sísmico

a visão de seus olhos vermelhos latejantes
e minha culpa enlaçada a eles
me assombrarão pelas mil e uma noites
que ainda deitarei a seu lado,
relutando em lembrar-me
do abalo sísmico que lhe causei
pela mera expressão de um desvirtuamento...
quem o sabe, quem o julga?
já não me importo mais o que é ou não um desvio
desde que o pesadelo de ter de viver sem ti
não desbrave seu caminho tortuoso até o mundo real
para que torne tortuoso o meu
e as nuvens acima não despejem um novo oceano
que nos separe a fim de rasgar meu âmago
pelo pensamento de não mais fundir nossas filosofias
não conseguir substituir seu ronrono pelo do mais tenro felino
não ser capaz de reproduzir suas implicações e risadas patetas
ou de não ouvir as mínimas obssessões que arrancam-me sorrisos
com minusciosas descrições e entonações que compõem seu brilho próprio.

deixai nosso amor queimar-se em vela,
para que a sublimação se dê em fusão
e nossos seres, já mesclados, se pertençam até o próximo ciclo
onde surgiremos permutados de outras formas
sempre num giro gestáltico,
sempre os yins e os yangs
sempre, nós.