o pincel trança teus fios dourados
enquanto algodões úmidos nos abraçam
atrás das cortinas
tuas curvas leitosas me arrebatam
e aion impera com toda graça ao te admirar.
re-conhecendo, pujança de cores
e de girassóis
semeiam pólen de novos possíveis
passíveis
de passar e desconfigurar.
costurar outros nós:
ah, as borboletas a voar!
(watch out, the world's behind you..
there's always someone around you who will call..
it's nothing at all..)
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
a esfinge que invadiu a horta
no miolo de uma flor de Édipo
mantenho-me enroscada em posição fetal
sou bebê a ser descascado do repolho
frágil e sábio
pois não sabe
contempla o que flui ao seu redor
envolvendo-o como perfume em neblina
cor-de-rosa, cor de prosa
a magia do mundo dança narcisa.
a criança não percebe ali estar
mas seus semelhantes a obrigam
dão-lhe de presente um espelho e um cérebro:
e agora, quem veio primeiro, a vida ou a morte?
questões impostas que não eram questões.
por isso mesmo a criança se perde
pois agora há um referencial do que é se encontrar -
o que é isso que sinto? como nomear, lapidar, lidar?
este é o novo enigma
aquele que não partiu de mim mesma
mas sim das esfinges.
mantenho-me enroscada em posição fetal
sou bebê a ser descascado do repolho
frágil e sábio
pois não sabe
contempla o que flui ao seu redor
envolvendo-o como perfume em neblina
cor-de-rosa, cor de prosa
a magia do mundo dança narcisa.
a criança não percebe ali estar
mas seus semelhantes a obrigam
dão-lhe de presente um espelho e um cérebro:
e agora, quem veio primeiro, a vida ou a morte?
questões impostas que não eram questões.
por isso mesmo a criança se perde
pois agora há um referencial do que é se encontrar -
o que é isso que sinto? como nomear, lapidar, lidar?
este é o novo enigma
aquele que não partiu de mim mesma
mas sim das esfinges.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
O Louco
a cítara transcende por meus olhos fechados
pulsa cores e traça O Louco
à beira do precipício com a flor na mão
e a troncha nas costas
ele é livre, errante
pisa e devora suas raízes.
ó, nobre desrazão
abraço-lhe ao tomares o meu ser
enquanto respiro o úmido ar da mata
frio que acaricia minhas feições
e traz o aroma verde da montanha.
eu, então, me redesenho em Ártemis
senhora da noite e da floresta
que, sentada na lua,
ao admirar meu reino,
precipito-me de cabeça à imensidão
com um calor no peito e uma flor na mão
tal como O Louco na iminência do feito.
sinto então o cosmos,
sou as estrelas, a lua, o mundo
pois tudo é potência
tudo é movimento
proveniente do sopro primordial
que capta todo o sideral.
pulsa cores e traça O Louco
à beira do precipício com a flor na mão
e a troncha nas costas
ele é livre, errante
pisa e devora suas raízes.
ó, nobre desrazão
abraço-lhe ao tomares o meu ser
enquanto respiro o úmido ar da mata
frio que acaricia minhas feições
e traz o aroma verde da montanha.
eu, então, me redesenho em Ártemis
senhora da noite e da floresta
que, sentada na lua,
ao admirar meu reino,
precipito-me de cabeça à imensidão
com um calor no peito e uma flor na mão
tal como O Louco na iminência do feito.
sinto então o cosmos,
sou as estrelas, a lua, o mundo
pois tudo é potência
tudo é movimento
proveniente do sopro primordial
que capta todo o sideral.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
germinal
um verde lençol lançou-se dos afáveis olhos
enrolando-me como forte abrigo contra a chuva
e por de dentro, um cálido ar
que abraçava e sussurrava:
não precisa ser tão solitário
coroando as estrelas com apreciação
de estar ali, agora
meio a um gesto de afago ao fogo
que sorri perante uma semente que abre os braços
obelisco dos novos ventos
germinal de possibilidades...
agora possíveis.
enrolando-me como forte abrigo contra a chuva
e por de dentro, um cálido ar
que abraçava e sussurrava:
não precisa ser tão solitário
coroando as estrelas com apreciação
de estar ali, agora
meio a um gesto de afago ao fogo
que sorri perante uma semente que abre os braços
obelisco dos novos ventos
germinal de possibilidades...
agora possíveis.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
eclipse
20-21.12.10
O que eu mais queria era unir-me a toda aquela grandeza, ao universo-penumbra sepulcral enfeitado com estrelas. Os astros eram as jóias que cintilavam a madrugada, a reluzência da névoa que costurava o horizonte. O mar e o céu refletiam-se em duas realidades mútuas, cujo rasgo libertaria o buraco negro que, narcísicamente, toda a Terra sugaria para si. Almadiçoado e sagrado, o laço entre esses universos exprimia, para mim, o casamento entre a alma e o corpo, Deus e humanidade... o amor dos pólos se fez no horizonte. Ele é a esperança da consumação entre todas as coisas, repelidas pela indiferença.
O tempo não existe no horizonte. A união desmancha a dimensão dos segundos do existir e o transforma no viver. O enovelar das grandezas me rouba lágrimas, e choro rezando pela fantasia da completude. Pelas costas, a expressão pura da falta, a lacuna se apoderando da Lua: o negro a devora, anunciando novas Eras. O paradoxo me seduz, e me arrasta pelas suas correntezas... regadas pela esperança, pelo risco, pela vulnerabilidade.
Eu amo o cheiro de vida pela manhã.
O que eu mais queria era unir-me a toda aquela grandeza, ao universo-penumbra sepulcral enfeitado com estrelas. Os astros eram as jóias que cintilavam a madrugada, a reluzência da névoa que costurava o horizonte. O mar e o céu refletiam-se em duas realidades mútuas, cujo rasgo libertaria o buraco negro que, narcísicamente, toda a Terra sugaria para si. Almadiçoado e sagrado, o laço entre esses universos exprimia, para mim, o casamento entre a alma e o corpo, Deus e humanidade... o amor dos pólos se fez no horizonte. Ele é a esperança da consumação entre todas as coisas, repelidas pela indiferença.
O tempo não existe no horizonte. A união desmancha a dimensão dos segundos do existir e o transforma no viver. O enovelar das grandezas me rouba lágrimas, e choro rezando pela fantasia da completude. Pelas costas, a expressão pura da falta, a lacuna se apoderando da Lua: o negro a devora, anunciando novas Eras. O paradoxo me seduz, e me arrasta pelas suas correntezas... regadas pela esperança, pelo risco, pela vulnerabilidade.
Eu amo o cheiro de vida pela manhã.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
wanderlust
folheando páginas amareladas
engreno em uma trilha vespertina
por dentre folhas de gelo e cerejas de cristal
dimensão de tempo descontínuo
fragmentado
cujas luzes refratam em prisma
num arco-íris estrelado que rouba meu ar
para que ele respire por mais tempo
e brilhe tal como os lençóis das suas cores.
contemplo esse espetáculo
desejando transmitir para meus amores:
rabisco rascunhos desse mundo
na contracapa de um García Márquez
e o deixo em uma praça qualquer
à deriva
para que alguém o decifre...
e com um beijo de boa sorte
faz-se amuleto.
dedico-lhe ao amor,
e tatuo minha devoção com negra tinta
ao fazer germinar de mim as tais palavras:
àquele que achar paixões e vivê-las,
que descubra a autopoiese de transformar e ser transformado,
de derreter em si e no outro,
de libertar os sentimentos ao princípio da incerteza,
o mágico movimento do universo em uma pequena esfera
que vaga cravando seu nome
wanderlust.
engreno em uma trilha vespertina
por dentre folhas de gelo e cerejas de cristal
dimensão de tempo descontínuo
fragmentado
cujas luzes refratam em prisma
num arco-íris estrelado que rouba meu ar
para que ele respire por mais tempo
e brilhe tal como os lençóis das suas cores.
contemplo esse espetáculo
desejando transmitir para meus amores:
rabisco rascunhos desse mundo
na contracapa de um García Márquez
e o deixo em uma praça qualquer
à deriva
para que alguém o decifre...
e com um beijo de boa sorte
faz-se amuleto.
dedico-lhe ao amor,
e tatuo minha devoção com negra tinta
ao fazer germinar de mim as tais palavras:
àquele que achar paixões e vivê-las,
que descubra a autopoiese de transformar e ser transformado,
de derreter em si e no outro,
de libertar os sentimentos ao princípio da incerteza,
o mágico movimento do universo em uma pequena esfera
que vaga cravando seu nome
wanderlust.
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vida
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
there's too much love
violinos balançam-me enquanto filosofo sobre rabiscos inconscientes
as nuvens esculpidas de presente por belle e sebastian
permitiram-me modelar essa casa de veraneio
onde o tempo é sempre nevoeiro e nevasca
e descontínuo, num ziguezague
formando oito infinito ao patinar pelo lago congelado.
desse mundo é árdua a tarefa de voltar
cair na história contínua e evolutiva
fria
e não o frio afetuoso dos flocos
mas um frio a corromper a forma do meu poema
cutucar-me com o tagarelar de meus deveres
e reprimir-me o mínimo de paixão que tento os impôr
de modo a moldá-la em uma escala de 1 a 10.
eu sou 11, 100, um milhão
ela é todos os números que pairam pelo conjunto
nenhum deles entenderá a sua voracidade
e seu fogo os queimará
para não encherem mais meu saco
discursando que o caos é errado.
as nuvens esculpidas de presente por belle e sebastian
permitiram-me modelar essa casa de veraneio
onde o tempo é sempre nevoeiro e nevasca
e descontínuo, num ziguezague
formando oito infinito ao patinar pelo lago congelado.
desse mundo é árdua a tarefa de voltar
cair na história contínua e evolutiva
fria
e não o frio afetuoso dos flocos
mas um frio a corromper a forma do meu poema
cutucar-me com o tagarelar de meus deveres
e reprimir-me o mínimo de paixão que tento os impôr
de modo a moldá-la em uma escala de 1 a 10.
eu sou 11, 100, um milhão
ela é todos os números que pairam pelo conjunto
nenhum deles entenderá a sua voracidade
e seu fogo os queimará
para não encherem mais meu saco
discursando que o caos é errado.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
com amor, zaratustra
veio até mim!
o meu destinatário secreto recebeu minha correspondência
sem saber que se destinava a ele
de um remetente desconhecido
agora com mais desrazão que nunca
ao deleitar-se no gozo de declarar-se
coberta por um lençol, em sussurros
mas mesmo assim vendo estrelas.
amar um só não faz mais sentido
há uma enchente sentimental vazando de mim
suplicando para sair e irrigar outros campos
germinar novas flores e novas vidas
começar um ecossistema vizinho, com tanta riqueza
estas expectativas me matam,
e matam aos poucos as pulsões que me dão a juventude
e desperdiçam vidas, massacram possibilidades
de novos atravessamentos paralelos.
novos amores são novas relações,
que são novos cultivos e partilhas
que urgem a disseminar-se pelos prados
e enfrentar novos monstros que me farão sofrer
e, portanto, viver.
o meu destinatário secreto recebeu minha correspondência
sem saber que se destinava a ele
de um remetente desconhecido
agora com mais desrazão que nunca
ao deleitar-se no gozo de declarar-se
coberta por um lençol, em sussurros
mas mesmo assim vendo estrelas.
amar um só não faz mais sentido
há uma enchente sentimental vazando de mim
suplicando para sair e irrigar outros campos
germinar novas flores e novas vidas
começar um ecossistema vizinho, com tanta riqueza
estas expectativas me matam,
e matam aos poucos as pulsões que me dão a juventude
e desperdiçam vidas, massacram possibilidades
de novos atravessamentos paralelos.
novos amores são novas relações,
que são novos cultivos e partilhas
que urgem a disseminar-se pelos prados
e enfrentar novos monstros que me farão sofrer
e, portanto, viver.
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domingo, 24 de outubro de 2010
exhilaration
aqui, no meu canto
dançando com minhas palavras não-pronunciadas
fetos de expressão
permaneço no centro do tornado
a contemplar o movimento,
o caos pacífico e alostásico
ao embaralho de interocepções amorfas
que abalroam-se, abraçam-se, beijam-se e chacinam-se
ao som de grizzly bear
num girar de guarda-chuva
em meio a uma tempestade de pomarola.
meus bebês parecem ensangüentados, mas deliciam-se
fazem guerra e abrem a boca para cima
infância perdida encontra-se aí,
no êxtase dionisíaco que ainda não esqueci.
quanto a mim, ao fazer parte deste banquete
penso comigo mesma se embriago-me o suficiente
e sorrio, frente às fartas cachoeiras de memórias emotivas
aos riachos de lágrimas e risadas,
de dor, agonia, euforia, angústia, luto, júbilo e amor
as águas que irrigam meu ser.
lanço-me, banho-me e abro a boca para cima
para que, na psicose, vivamos felizes para sempre.
dançando com minhas palavras não-pronunciadas
fetos de expressão
permaneço no centro do tornado
a contemplar o movimento,
o caos pacífico e alostásico
ao embaralho de interocepções amorfas
que abalroam-se, abraçam-se, beijam-se e chacinam-se
ao som de grizzly bear
num girar de guarda-chuva
em meio a uma tempestade de pomarola.
meus bebês parecem ensangüentados, mas deliciam-se
fazem guerra e abrem a boca para cima
infância perdida encontra-se aí,
no êxtase dionisíaco que ainda não esqueci.
quanto a mim, ao fazer parte deste banquete
penso comigo mesma se embriago-me o suficiente
e sorrio, frente às fartas cachoeiras de memórias emotivas
aos riachos de lágrimas e risadas,
de dor, agonia, euforia, angústia, luto, júbilo e amor
as águas que irrigam meu ser.
lanço-me, banho-me e abro a boca para cima
para que, na psicose, vivamos felizes para sempre.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
fazer novo amor (em queda livre)
Da atmosfera nebulosa da asfixia vou caindo, lenta e suavemente, de costas, em direção a um ar que evoca lembranças da essência de prado; fecho os olhos e assento-me ao vento floral que acaricia-me com minhas próprias madeixas. Respiro e vivo o momento de paz, e ao abraçá-lo sublima para mim o travesseiro espacial, mais macio e solene que nunca nesta nova vida: pelos ares transicionais aperto-lhe entre meus braços, germinando a chuva rala, pluma a pluma. O gotejar das felpes envolve meu novo ar numa convecção galaxial, assim como meus fios de cabelo formam magníficos caracóis na dança à queda livre.
Vôo como voam sacos plásticos ao vento, agarrada ao travesseiro como a um amante em tempo frio, pouso em qualquer coisa tão macia quanto o toque da sua fronha. Afundo e afundo no que parece a nuvem na qual uma vez já sonhei, já adormeci, já gemi, ao lado daquele tão querido amante, uma vaga lembrança preenche o espaço vazio da minha (agora visivelmente) cama.
Antigas fervilhas agora unem-se sob nova forma, como tanto pregava Zaratustra?
Pouco provável. Pelo menos tentam, mesmo que à sombra do passado.
O novo arranjo de feixes agrada-me, e sou capaz de apaixonar-me ainda mais uma vez, e enovelar uma nova história.
Vôo como voam sacos plásticos ao vento, agarrada ao travesseiro como a um amante em tempo frio, pouso em qualquer coisa tão macia quanto o toque da sua fronha. Afundo e afundo no que parece a nuvem na qual uma vez já sonhei, já adormeci, já gemi, ao lado daquele tão querido amante, uma vaga lembrança preenche o espaço vazio da minha (agora visivelmente) cama.
Antigas fervilhas agora unem-se sob nova forma, como tanto pregava Zaratustra?
Pouco provável. Pelo menos tentam, mesmo que à sombra do passado.
O novo arranjo de feixes agrada-me, e sou capaz de apaixonar-me ainda mais uma vez, e enovelar uma nova história.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
vivo, muito vivo, vivo, vivo feel the sound of music in my belly, belly
Arrepio gelado vem da sensação de viver. É bela, pois seu estado de espírito contempla o estado de seu espírito - sem nenhuma outra alternativa além de senti-lo, atônito, sem fôlego por saber que deslumbroso significado pode colorir sua humilde existência em traços impressionistas, realçando suas curvas e todos seus resquícios de ardente movimento. Num ato de gloriosa inspiração, ar e aleluia enchem o meu cerne com tal vigor que me arranca lágrimas. Consciente de cada minusciosa víscera que palpita em mim, minha aura brilha de júbilo e não me contenho; acaricio meus braços do pulso ao ombro, e me envolvo em nuvens de felicidade ao meu corpo ser abraçado por seu mais íntimo amigo.
Em seguida implode puríssimo amor. Pela minha chama, por este delirante sabor salgado que escorre pela minha face ser real, por estar vivo, muito vivo, vivo, vivo!
Em seguida implode puríssimo amor. Pela minha chama, por este delirante sabor salgado que escorre pela minha face ser real, por estar vivo, muito vivo, vivo, vivo!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Momento secreto
As lágrimas escorrendo desde a gênese das suas inseguranças chegaram até seus lábios - expressivamente mais avermelhados - trouxeram de volta consigo o salgado sabor da auto-piedade, as palpitações da mais solene purificação e os veementes ressentimentos, que rasgavam-no atravessando cerne do peitoral másculo e impenetrável. Uma impetuosa tsunami de dúvidas sobre suas próprias aptidões e significações o invadiu de modo avassalador, sem poupá-lo de uma sicatriz sequer.
April, sua melhor amiga, avistou tal desmoronamento interior assim que Michel retornou à sala cheia de pessoas. Se tornara profissional em detectar as sutilezas dos sintomas emocionais do rapaz. Ele suava excessivamente, a região ao redor da boca apresentava um avermelhamento característico e seus olhos exalavam morte; a confirmação, para ela, se deu quando ele se apoiou na mesa com as mãos cerradas, com o ar recatado de quem sofreu um abalo sísmico por dentro.
A confidente se aproximou, coberta de calor para transmitir, e estrelaçou seus dedos nos do amigo. Ele, ao levantar levemente a cabeça, encontrou aqueles olhos piedosos - os únicos que enxergavam por trás de sua palidez - e se sentiu em casa.
As feridas abertas revelaram a carne viva de Michel, tão frágil e sensível quanto qualquer outra - talvez até mais. A transparência do edotélio-carapuça que ele vestia não ocultava o golpe abrupto ao qual foi submetido, mas deixava também visível seu grande coração; sua natureza humana, que sempre fora capaz de curar-se de qualquer catástrofe, da sua única e pessoal maneira de lidar consigo mesmo.
April apostou na natureza de Michel. Em seus braços, acompanhou o amigo na sua salgada purificação da alma, e o subsidiou presenteando-o com algumas horas do seu dia, no canto confortável e secreto da cozinha, onde só eles podiam se ouvir.
April, sua melhor amiga, avistou tal desmoronamento interior assim que Michel retornou à sala cheia de pessoas. Se tornara profissional em detectar as sutilezas dos sintomas emocionais do rapaz. Ele suava excessivamente, a região ao redor da boca apresentava um avermelhamento característico e seus olhos exalavam morte; a confirmação, para ela, se deu quando ele se apoiou na mesa com as mãos cerradas, com o ar recatado de quem sofreu um abalo sísmico por dentro.
A confidente se aproximou, coberta de calor para transmitir, e estrelaçou seus dedos nos do amigo. Ele, ao levantar levemente a cabeça, encontrou aqueles olhos piedosos - os únicos que enxergavam por trás de sua palidez - e se sentiu em casa.
As feridas abertas revelaram a carne viva de Michel, tão frágil e sensível quanto qualquer outra - talvez até mais. A transparência do edotélio-carapuça que ele vestia não ocultava o golpe abrupto ao qual foi submetido, mas deixava também visível seu grande coração; sua natureza humana, que sempre fora capaz de curar-se de qualquer catástrofe, da sua única e pessoal maneira de lidar consigo mesmo.
April apostou na natureza de Michel. Em seus braços, acompanhou o amigo na sua salgada purificação da alma, e o subsidiou presenteando-o com algumas horas do seu dia, no canto confortável e secreto da cozinha, onde só eles podiam se ouvir.
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domingo, 6 de junho de 2010
nublado
o sonhador vagueia pela praia negra,
por entre centelhas de setembros perdidos
que mais parecem nuvens de castigo.
quase na chegada, ele dorme
ele se acostuma...
mas e aquele portão dourado que o espera?
será mesmo que atrás deste, a felicidade eterna o abraçará?
será que seus doces sonhos não desvanescerão na passagem entre mundos?
acordar : é compulsório
e agora que o céu se aproxima, é hora de não mais exitar
é hora de encarar todos os seus pedidos
que se realizaram - e, portanto, perderam o romance.
o gelo gostoso que voa pelas bochechas
e o salgado das lágrimas que choviam nos dias de verão
faziam-se construir um imenso guarda-sol
sem janelas , sem frestas
para manter os 16º que o fazia se abraçar
debaixo das cobertas, em seu mundo
atemporal, literário
para toda a eternidade até o alarme tocar.
por entre centelhas de setembros perdidos
que mais parecem nuvens de castigo.
quase na chegada, ele dorme
ele se acostuma...
mas e aquele portão dourado que o espera?
será mesmo que atrás deste, a felicidade eterna o abraçará?
será que seus doces sonhos não desvanescerão na passagem entre mundos?
acordar : é compulsório
e agora que o céu se aproxima, é hora de não mais exitar
é hora de encarar todos os seus pedidos
que se realizaram - e, portanto, perderam o romance.
o gelo gostoso que voa pelas bochechas
e o salgado das lágrimas que choviam nos dias de verão
faziam-se construir um imenso guarda-sol
sem janelas , sem frestas
para manter os 16º que o fazia se abraçar
debaixo das cobertas, em seu mundo
atemporal, literário
para toda a eternidade até o alarme tocar.
domingo, 2 de maio de 2010
dancing with my confusion (english)
the months go by slowly
as the weeks and days punish me with their emptyness
an emptyness i vaguely recognize
from the offly far away lands of which i have been pushed away
by the time and space of social remarks of what is right
for them, i most certainly did obey
though my most profound wish was to explore the beautiful and vast possibilities
of self guidance and indentification
reflected on the lagoons by the Alps and snow mountain sides.
the still very blurred vision of myself was presented to me
and who am i, if not only physical manifestations of the whatsitcalled particules
that consist my figure of soul and love?
maybe the dark despair cloud of the heart can tell you
what it is that i am finally made of:
The horror! The horror!
no meaning whatsoever is added to this -
could it be?
there's still an untoucheble inner light
which was disguised by the byronesque melancholy
for great mourning carries great renaissance
walking along by misleading steps
Wonderland and the Continent of Darkness
fighting for attention and power,
for long as they both shall live.
Now I am a capital I
the same first letter of Inconscious
inside a body-and-soul that is unique
and therefor, psyche
a one and only psyche.
as the weeks and days punish me with their emptyness
an emptyness i vaguely recognize
from the offly far away lands of which i have been pushed away
by the time and space of social remarks of what is right
for them, i most certainly did obey
though my most profound wish was to explore the beautiful and vast possibilities
of self guidance and indentification
reflected on the lagoons by the Alps and snow mountain sides.
the still very blurred vision of myself was presented to me
and who am i, if not only physical manifestations of the whatsitcalled particules
that consist my figure of soul and love?
maybe the dark despair cloud of the heart can tell you
what it is that i am finally made of:
The horror! The horror!
no meaning whatsoever is added to this -
could it be?
there's still an untoucheble inner light
which was disguised by the byronesque melancholy
for great mourning carries great renaissance
walking along by misleading steps
Wonderland and the Continent of Darkness
fighting for attention and power,
for long as they both shall live.
Now I am a capital I
the same first letter of Inconscious
inside a body-and-soul that is unique
and therefor, psyche
a one and only psyche.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Home?
Home, home again
I'd like to be here, but I can't
Because I am
One lost soul swimming in a fish bowl.
I'd like to be here, but I can't
Because I am
One lost soul swimming in a fish bowl.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Catarse
eu senti
senti tudo ao mesmo tempo
grama, roupas, peitos, sangue
com uma energia musical que me abraçava.
para acompanhar, me abracei
eu me senti...
não precisava de nada -
de tudo me bastava
no céu lá estava eu dançando ao movimento
das luzes espelhadas na água.
me unir àquela fonte, toque a toque:
uma magia de cada vez.
ao som de gritos ritmais, meus dedos se fundiam
à água, como nunca antes
seu sonho havia se realizado bem ali, noutra realidade
seres-filhos; finalmente
enquanto os vizinhos do primeiro andar
têm um orgasmo com a grama
o self vive uma aglomeração de mundos;
uma colcha de retalhos psíquico-sensoriais
que a incorpora com naturalidade
divagam assim entre os universos de cada detalhe
unindo-os, mestiço
totalidade -
será?
o boom se completa com a colisão
das bochechas de algodão com os cachos de anjo
se unem ao rosto, ao abdomem, às pernas
e descansam junto ao antes self
imersos no que agora sim é novo universo
misto: um.
(the great gig in the sky -)
senti tudo ao mesmo tempo
grama, roupas, peitos, sangue
com uma energia musical que me abraçava.
para acompanhar, me abracei
eu me senti...
não precisava de nada -
de tudo me bastava
no céu lá estava eu dançando ao movimento
das luzes espelhadas na água.
me unir àquela fonte, toque a toque:
uma magia de cada vez.
ao som de gritos ritmais, meus dedos se fundiam
à água, como nunca antes
seu sonho havia se realizado bem ali, noutra realidade
seres-filhos; finalmente
enquanto os vizinhos do primeiro andar
têm um orgasmo com a grama
o self vive uma aglomeração de mundos;
uma colcha de retalhos psíquico-sensoriais
que a incorpora com naturalidade
divagam assim entre os universos de cada detalhe
unindo-os, mestiço
totalidade -
será?
o boom se completa com a colisão
das bochechas de algodão com os cachos de anjo
se unem ao rosto, ao abdomem, às pernas
e descansam junto ao antes self
imersos no que agora sim é novo universo
misto: um.
(the great gig in the sky -)
Ter seios
os morros debaixo do meu pescoço são meus,
agarro-os; pois me pertencem
sinto-os, vivo-os
os dedos os beijam, da margem esquerda aos bicos
depois os dominam como todo
até a margem da direita,
que infla de prazer.
o sutiã os acompanham desde muito temprano
está na hora de desabrochar
venham, deixem o ninho
e sintam o que é ser mulher...
brinquem, abracem a liberdade
permitam-se
que seus (outros) donos cuidem
- tão bem quanto sua mãe, a rosa - :
é hora de render à fera.
agarro-os; pois me pertencem
sinto-os, vivo-os
os dedos os beijam, da margem esquerda aos bicos
depois os dominam como todo
até a margem da direita,
que infla de prazer.
o sutiã os acompanham desde muito temprano
está na hora de desabrochar
venham, deixem o ninho
e sintam o que é ser mulher...
brinquem, abracem a liberdade
permitam-se
que seus (outros) donos cuidem
- tão bem quanto sua mãe, a rosa - :
é hora de render à fera.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Ode a 2009
That day was miiiiine...
Fico aqui olhando para o recorte do Zach com a corneta, e "PercPan 2009" ao fundo, e depois virando para o lado e vendo o setlist (lindíssimo) autografado, e penso: sim, sou uma pessoa muito feliz. Isso não é uma idolatria qualquer a um artista, e sim um ponto simbólico de todo o ano de 2009.
Sim, eu me considero uma das pessoas mais felizes do mundo só por esse ano que passou.
Visitei 13 países europeus, vi um milhão e meio de obras de arte valiosíssimas, conversei com pessoas de diversos países de todo o mundo, participei de eventos da vida universitária francesa, senti o gostinho de como é morar (mesmo por apenas 3 meses) em La France, presenciei 3 estações diferentes em um clima temperado, fugi do pior do verão carioca e do carnaval, pude ver o Artur grande parte do 1º semestre, pude compartilhar com ele metade dos países visitados, degustei um turbilhão de culturas retalhadas, expandi meu mundo interior muitas e muitas vezes (cada lugar que você conhece, e cada experiência neles, torna-se uma parte de você), experimentei a alegria de passar no vestibular da universidade que você quer, compartilhei uma fase extremamente marcante da pessoa que amo (e vice-versa), passei por momentos maravilhosos a cada dia, descobri talentos adormecidos em mim mesma, adquiri muitos novos pontos de vista, senti grandes emoções que muita gente nunca sentiu.
Mesmo na volta ao Brasil, mais um admirável mundo novo estava para começar: a psicologia.
Vivenciei (finalmente) o que é a faculdade, conheci muitas pessoas novas maravilhosas, descobri a minha nova segunda casa - o IP, vivi momentos atrás de momentos que encrementaram o dia-a-dia com as maiores maravilhas... E no final, mesmo me isolando de qualquer coisa mundana que não envolvesse o Artur nas últimas duas semanas, fui tão feliz que nem tenho como agradecer a tudo o que aconteceu nesse melhor ano da minha vida...
E agora, 2010: verão vira inverno, e estarei de volta a La France!!
Feliz ano novo!!!
Fico aqui olhando para o recorte do Zach com a corneta, e "PercPan 2009" ao fundo, e depois virando para o lado e vendo o setlist (lindíssimo) autografado, e penso: sim, sou uma pessoa muito feliz. Isso não é uma idolatria qualquer a um artista, e sim um ponto simbólico de todo o ano de 2009.
Sim, eu me considero uma das pessoas mais felizes do mundo só por esse ano que passou.
Visitei 13 países europeus, vi um milhão e meio de obras de arte valiosíssimas, conversei com pessoas de diversos países de todo o mundo, participei de eventos da vida universitária francesa, senti o gostinho de como é morar (mesmo por apenas 3 meses) em La France, presenciei 3 estações diferentes em um clima temperado, fugi do pior do verão carioca e do carnaval, pude ver o Artur grande parte do 1º semestre, pude compartilhar com ele metade dos países visitados, degustei um turbilhão de culturas retalhadas, expandi meu mundo interior muitas e muitas vezes (cada lugar que você conhece, e cada experiência neles, torna-se uma parte de você), experimentei a alegria de passar no vestibular da universidade que você quer, compartilhei uma fase extremamente marcante da pessoa que amo (e vice-versa), passei por momentos maravilhosos a cada dia, descobri talentos adormecidos em mim mesma, adquiri muitos novos pontos de vista, senti grandes emoções que muita gente nunca sentiu.
Mesmo na volta ao Brasil, mais um admirável mundo novo estava para começar: a psicologia.
Vivenciei (finalmente) o que é a faculdade, conheci muitas pessoas novas maravilhosas, descobri a minha nova segunda casa - o IP, vivi momentos atrás de momentos que encrementaram o dia-a-dia com as maiores maravilhas... E no final, mesmo me isolando de qualquer coisa mundana que não envolvesse o Artur nas últimas duas semanas, fui tão feliz que nem tenho como agradecer a tudo o que aconteceu nesse melhor ano da minha vida...
E agora, 2010: verão vira inverno, e estarei de volta a La France!!
Feliz ano novo!!!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
L'hymne à l'amour
Balayés les amours...
Mes chagrins, mes plaisirs; Je n'ai plus besoin d'eux.
not!
Amo, logo existo
sou homus limbus
na borda, à margem, torta
gauche? talvez.
mas antes de tudo, bouche
vivo cada faísca humana
cada onda oscilante
em um sistema complexo de extremos.
abraço os meus erros,
me arremesso aos prazeres
e aos sofrimentos
com toda a minha psique
agarrada a mes souvenirs,
meus passados, meus futuros
sem nunca largar.
assim vou vivendo
vou amando, vou sofrendo
vou chorando, vou gargalhando
até minhas vísceras não se agüentarem mais.
Mes chagrins, mes plaisirs; Je n'ai plus besoin d'eux.
not!
Amo, logo existo
sou homus limbus
na borda, à margem, torta
gauche? talvez.
mas antes de tudo, bouche
vivo cada faísca humana
cada onda oscilante
em um sistema complexo de extremos.
abraço os meus erros,
me arremesso aos prazeres
e aos sofrimentos
com toda a minha psique
agarrada a mes souvenirs,
meus passados, meus futuros
sem nunca largar.
assim vou vivendo
vou amando, vou sofrendo
vou chorando, vou gargalhando
até minhas vísceras não se agüentarem mais.
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