Demônios verdes que enfim vazaram!
Mesmo que seus rastros excrementosos restem
o grito foi bem vindo para drenar parte do veneno.
Gás letal ainda circula por este ovo
Líquido amniótico podre se converte em edema,
sugando e bloqueando o ar puro
para mais carbono acumular-se de novo.
Dispositivo que ativou o sangue adormecido
é a desgraça alheia a qual já invejei,
as marcas teatrais do Dionísio da morte
trevas que consomem até o limite
que assim atenção ela prestou
que assim ela beijou e abraçou
será que ela ouviria?
será que ela sentiria?
Mostrando postagens com marcador agressividade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agressividade. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
wanna whole lotta love
dançam em mim delírios suados
de curvas quentes que enroscam-se e dilaceram-se
meio a uma sinfonia led zeppelin
em que unhas e dentes destroçam a cada riff
e a visão embaralha dentro d'um caldeirão.
ata-me! me come sem piedade
arranca-me as madeixas que arranco as tuas
aos gritos cala-me e engole-me com teu beijo
enquanto cravo labirintos vermelhos em tuas costas
e perco-me na luxúria desse sonho
na violência voraz da tua pele.
de curvas quentes que enroscam-se e dilaceram-se
meio a uma sinfonia led zeppelin
em que unhas e dentes destroçam a cada riff
e a visão embaralha dentro d'um caldeirão.
ata-me! me come sem piedade
arranca-me as madeixas que arranco as tuas
aos gritos cala-me e engole-me com teu beijo
enquanto cravo labirintos vermelhos em tuas costas
e perco-me na luxúria desse sonho
na violência voraz da tua pele.
Marcadores:
agressividade,
amor livre,
dioniso-shiva,
domínio,
poema,
pulsão
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
e o rio de janeiro continua lindo???
É o mundo que anda hostil
a pomba carregada de fuzil
pra metralhar a puta que o pariu.
aplausos
para os grandes homens que estouram os miolos
dos que explodem outros?
paradoxo inexorável
auto-sustentável
e abominável...
sinto-me uma fina voz
agorando por ideais esquecidos
convertidos em valor real
real, demasiadamente real
que silencia os sonhos
esmaga os desejos
etiqueta as auras.
como voar por aí flutuando em altas freqüências
se nenhum ouvido é apto ao agudo?
(título dedicado à matéria do jornal O Globo logo após a tomada do complexo do alemão)
a pomba carregada de fuzil
pra metralhar a puta que o pariu.
aplausos
para os grandes homens que estouram os miolos
dos que explodem outros?
paradoxo inexorável
auto-sustentável
e abominável...
sinto-me uma fina voz
agorando por ideais esquecidos
convertidos em valor real
real, demasiadamente real
que silencia os sonhos
esmaga os desejos
etiqueta as auras.
como voar por aí flutuando em altas freqüências
se nenhum ouvido é apto ao agudo?
(título dedicado à matéria do jornal O Globo logo após a tomada do complexo do alemão)
sábado, 14 de agosto de 2010
fadada a fingir
ao ouvir a pergunta, viro-me de costas para deparar-me com os estupradores sociais.
nos olhares cintilantes de esperança enxergo todas as suas fantasias sendo consumadas em uma única resposta, cuspida em minha boca; o brilho de suas faces e sorrisos deixa transparecer uma dourada promessa de finais felizes vividos através outros olhos, outros sorrisos.
antecipo a decepção nos olhos reluzentes ao encarar a verdade, sentindo os gélidos corredores de titâneo que agora nos separam. meu rosto é iluminado pela sua excessiva cor branca, minha visão fez-se eclipse e borrão; as açucaradas expectativas não correspondem à piscina de lama e lava que é minha alma. minha tarefa foi descumprida; o que deveria sentir um corpo dócil como o meu não sente. ele sente sede, sede de algo além do dever - seria o devir? meus olhos não o reconhecem mais? não sabia. não sabia nem mesmo que nome anotar na etiqueta para posterior análise ou engavetamento. na verdade, meus sentimentos em torno daquela gaveta se faziam mais claros do que qualquer outro: ah, o horror!
então minto, um sorriso é secretado e excretado do casulo e enfim declaro: "ainda não caiu a ficha!"
nos olhares cintilantes de esperança enxergo todas as suas fantasias sendo consumadas em uma única resposta, cuspida em minha boca; o brilho de suas faces e sorrisos deixa transparecer uma dourada promessa de finais felizes vividos através outros olhos, outros sorrisos.
antecipo a decepção nos olhos reluzentes ao encarar a verdade, sentindo os gélidos corredores de titâneo que agora nos separam. meu rosto é iluminado pela sua excessiva cor branca, minha visão fez-se eclipse e borrão; as açucaradas expectativas não correspondem à piscina de lama e lava que é minha alma. minha tarefa foi descumprida; o que deveria sentir um corpo dócil como o meu não sente. ele sente sede, sede de algo além do dever - seria o devir? meus olhos não o reconhecem mais? não sabia. não sabia nem mesmo que nome anotar na etiqueta para posterior análise ou engavetamento. na verdade, meus sentimentos em torno daquela gaveta se faziam mais claros do que qualquer outro: ah, o horror!
então minto, um sorriso é secretado e excretado do casulo e enfim declaro: "ainda não caiu a ficha!"
Marcadores:
agressividade,
conto,
introversão,
psi
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Se eu morrer, não chore não, é só o mar
Apesar da enorme alegria com a qual me presenteia o morno lago, é necessário respingá-lo também nas chamas; desse modo o evaporar se expirará em catarse e renascerá, reluzindo como fênix em condensação, preenchendo os silêncios com o milagroso esplendor das gotas cristalinas, puras, e cunhando-se enfim novo lago. O tatear com o solo escaldante o fez pequeno mar, revolto e convulso, ondas caóticas que quebravam em si mesmas: contra isso meus olhos não são mais capazes de lutar, e penetram adentro de cada estremecer, deslumbrados pelo seu vigor. Contemplo o mar com cada milímetro de mim, fascinada com a vivacidade e a magnitude de suas ondas, num transe que unta-me ao som do quebrar. É o resplandecer do sacrifício, o cintilar da revolução, o resplandecer da morte e da vida. Sem esse mar eu não poderia mais viver, e muito menos morrer.
não saber amar como um bom burguês
Não é um medo estarrecedor, de um raio ou uma rocha flamejante atirada e cuspida em minha direção, com poder de fazer-me perecer nas chamas da destruição. É, sim, medo - tão aterrorizante quanto qualquer outro - mas de outro gênero. É medo da paz, do contentamento, da satisfação e da marola; medo de não ter pelo que morrer, somente pelo que extinguir-se.
Grande prazer me proporciona o morno lago ao fazer-me boiar, suave e perfeito; a água enrosca seus dedos por entre meus cabelos e afaga-me, com tal delicadeza e gentileza que deixo-me comover, revirar e abraçar o travesseiro de plumas e amores que as algas - tão hospitaleiras - doaram à sua fiel visitante. Enquanto a água beija meu corpo nu, contornando-o absoluto, adentrando pelas cavernas escondidas com inequiparável devoção, em minha alma floresce felicidade que a preenche até a boca, pois afinal conseguiu tudo o que desejava nas fitinhas do senhor do bonfim, tudo aquilo que confortava-a e procurava confortá-la incessantemente. Ao dar-me conta de que a fantasia tomara tal forma, ao deparar-me com ela a poucos metros de mim, aquele veneno, a amarga e temida angústia, renasce de minhas entranhas; percorre então os longos e íleos caminhos que compõem o meu cerne à procura de oxigênio, arrastando-se sempre para frente, deveras frenético e de avassaladora pressão - pois a morte por asfixia é dura demais. Segue os vestígios de luz e encontra uma válvula de escape: são meus olhos, e através deles agora vazam cachoeiras de angústia; lavando-me o corpo com o ácido líquido da culpa. Mais uma vez ardo, mas ardo não de paixão, e sim de auto-consciência; a dolorosa pontada touché por mim mesma, fincada como penitência por não saber amar como um bom burguês.
Grande prazer me proporciona o morno lago ao fazer-me boiar, suave e perfeito; a água enrosca seus dedos por entre meus cabelos e afaga-me, com tal delicadeza e gentileza que deixo-me comover, revirar e abraçar o travesseiro de plumas e amores que as algas - tão hospitaleiras - doaram à sua fiel visitante. Enquanto a água beija meu corpo nu, contornando-o absoluto, adentrando pelas cavernas escondidas com inequiparável devoção, em minha alma floresce felicidade que a preenche até a boca, pois afinal conseguiu tudo o que desejava nas fitinhas do senhor do bonfim, tudo aquilo que confortava-a e procurava confortá-la incessantemente. Ao dar-me conta de que a fantasia tomara tal forma, ao deparar-me com ela a poucos metros de mim, aquele veneno, a amarga e temida angústia, renasce de minhas entranhas; percorre então os longos e íleos caminhos que compõem o meu cerne à procura de oxigênio, arrastando-se sempre para frente, deveras frenético e de avassaladora pressão - pois a morte por asfixia é dura demais. Segue os vestígios de luz e encontra uma válvula de escape: são meus olhos, e através deles agora vazam cachoeiras de angústia; lavando-me o corpo com o ácido líquido da culpa. Mais uma vez ardo, mas ardo não de paixão, e sim de auto-consciência; a dolorosa pontada touché por mim mesma, fincada como penitência por não saber amar como um bom burguês.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Momento secreto
As lágrimas escorrendo desde a gênese das suas inseguranças chegaram até seus lábios - expressivamente mais avermelhados - trouxeram de volta consigo o salgado sabor da auto-piedade, as palpitações da mais solene purificação e os veementes ressentimentos, que rasgavam-no atravessando cerne do peitoral másculo e impenetrável. Uma impetuosa tsunami de dúvidas sobre suas próprias aptidões e significações o invadiu de modo avassalador, sem poupá-lo de uma sicatriz sequer.
April, sua melhor amiga, avistou tal desmoronamento interior assim que Michel retornou à sala cheia de pessoas. Se tornara profissional em detectar as sutilezas dos sintomas emocionais do rapaz. Ele suava excessivamente, a região ao redor da boca apresentava um avermelhamento característico e seus olhos exalavam morte; a confirmação, para ela, se deu quando ele se apoiou na mesa com as mãos cerradas, com o ar recatado de quem sofreu um abalo sísmico por dentro.
A confidente se aproximou, coberta de calor para transmitir, e estrelaçou seus dedos nos do amigo. Ele, ao levantar levemente a cabeça, encontrou aqueles olhos piedosos - os únicos que enxergavam por trás de sua palidez - e se sentiu em casa.
As feridas abertas revelaram a carne viva de Michel, tão frágil e sensível quanto qualquer outra - talvez até mais. A transparência do edotélio-carapuça que ele vestia não ocultava o golpe abrupto ao qual foi submetido, mas deixava também visível seu grande coração; sua natureza humana, que sempre fora capaz de curar-se de qualquer catástrofe, da sua única e pessoal maneira de lidar consigo mesmo.
April apostou na natureza de Michel. Em seus braços, acompanhou o amigo na sua salgada purificação da alma, e o subsidiou presenteando-o com algumas horas do seu dia, no canto confortável e secreto da cozinha, onde só eles podiam se ouvir.
April, sua melhor amiga, avistou tal desmoronamento interior assim que Michel retornou à sala cheia de pessoas. Se tornara profissional em detectar as sutilezas dos sintomas emocionais do rapaz. Ele suava excessivamente, a região ao redor da boca apresentava um avermelhamento característico e seus olhos exalavam morte; a confirmação, para ela, se deu quando ele se apoiou na mesa com as mãos cerradas, com o ar recatado de quem sofreu um abalo sísmico por dentro.
A confidente se aproximou, coberta de calor para transmitir, e estrelaçou seus dedos nos do amigo. Ele, ao levantar levemente a cabeça, encontrou aqueles olhos piedosos - os únicos que enxergavam por trás de sua palidez - e se sentiu em casa.
As feridas abertas revelaram a carne viva de Michel, tão frágil e sensível quanto qualquer outra - talvez até mais. A transparência do edotélio-carapuça que ele vestia não ocultava o golpe abrupto ao qual foi submetido, mas deixava também visível seu grande coração; sua natureza humana, que sempre fora capaz de curar-se de qualquer catástrofe, da sua única e pessoal maneira de lidar consigo mesmo.
April apostou na natureza de Michel. Em seus braços, acompanhou o amigo na sua salgada purificação da alma, e o subsidiou presenteando-o com algumas horas do seu dia, no canto confortável e secreto da cozinha, onde só eles podiam se ouvir.
Marcadores:
agressividade,
conto,
emoção,
união,
vida
domingo, 25 de abril de 2010
ravashing
facas do céu
são a nova chuva de homens de sobretudo e chapéu
perfuram com paixão destroçadora
de violência e cheiro vivo
e tudo o que é promíscuo
enfia, mete tudo o que tem
rasga e arranha
venenosa aranha
são a nova chuva de homens de sobretudo e chapéu
perfuram com paixão destroçadora
de violência e cheiro vivo
e tudo o que é promíscuo
enfia, mete tudo o que tem
rasga e arranha
venenosa aranha
sexta-feira, 23 de abril de 2010
crushed (sem título)
crushed like a bug in the ground
lá vou eu, a com os menores problemas do mundo
histérica e inútil
gritando por um que ultrapasse o vidro
se rasgue tentando, mas insista
e ensangüentado(a), lance a pergunta:
como você se sente?
lá vou eu, a com os menores problemas do mundo
histérica e inútil
gritando por um que ultrapasse o vidro
se rasgue tentando, mas insista
e ensangüentado(a), lance a pergunta:
como você se sente?
Marcadores:
agressividade,
expressão,
poema,
solidão
Eu poderia te dar um tiro
você se acha tão inexorável
com seus ponteiros e raios flamejantes
que atingem a todos os infortunados
inclusive a mim, no subjetivo
fucking subjetivo
poderia atirar nos dois
e explodir essa merda
é.
com seus ponteiros e raios flamejantes
que atingem a todos os infortunados
inclusive a mim, no subjetivo
fucking subjetivo
poderia atirar nos dois
e explodir essa merda
é.
Esse calor que derrete o meu cérebro
Esse calor que derrete o meu cérebro
também transpira emoções.
Raiva, angústia, inquietude, arrependimento e medo escorrem e se unem em poça
para refletir meu rosto in-intrépido
como um cachorro reflete seu dono.
a última gota já se esgotou e não agüento mais.
que o tempo passe e leve o seu maldito tempo tropical com ele
até o último resquício desse bafo dos infernos.
As horas e os dias passam e nada faço, só suo,
suo e misso
submissa.
E escrevo poemas de merda
também transpira emoções.
Raiva, angústia, inquietude, arrependimento e medo escorrem e se unem em poça
para refletir meu rosto in-intrépido
como um cachorro reflete seu dono.
a última gota já se esgotou e não agüento mais.
que o tempo passe e leve o seu maldito tempo tropical com ele
até o último resquício desse bafo dos infernos.
As horas e os dias passam e nada faço, só suo,
suo e misso
submissa.
E escrevo poemas de merda
Marcadores:
agressividade,
caos,
emoção,
poema,
tempo
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Vaivém atrás da porta
quando você se foi
acompanhado pelo mestre de cerimônias
e me deixaste ali, no canto do salão
só e sóbria
não estava mais entre cem pessoas
elas fugiram; pr'uma realidade barrenta e confusa
onde nada importa a não ser futilidades
mas meu lugar não era ali.
chuviscos de rancor me transbordavam
pela sintonia rasgada (por medo)
um medo que virou resquício
(comparado ao da solidão)
...a pontada me atingiu novamente
e dessa vez sabia que algo estava errado.
então pensei: ora,
mas se tantos já encontraram equilíbrio por trás dessas portas
por que não eu?
acompanhado pelo mestre de cerimônias
e me deixaste ali, no canto do salão
só e sóbria
não estava mais entre cem pessoas
elas fugiram; pr'uma realidade barrenta e confusa
onde nada importa a não ser futilidades
mas meu lugar não era ali.
chuviscos de rancor me transbordavam
pela sintonia rasgada (por medo)
um medo que virou resquício
(comparado ao da solidão)
...a pontada me atingiu novamente
e dessa vez sabia que algo estava errado.
então pensei: ora,
mas se tantos já encontraram equilíbrio por trás dessas portas
por que não eu?
Marcadores:
agressividade,
lucy in the sky,
poema
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
I can't stop you
eu sei os sonhos que você sonha
eu sei os seus segredos mais profundos
é você que gosta contra a parede, possuída
é você que tem as luvas pretas
e o lençol branco
você é quem vai ser, fantasia.
eu serei ele e você vênus de milo;
se despe que eu te espero
da cintura pra cima, só as luvas
e os seios de deusa, pra mim
é isso que você quer, eu quero
eu puxo o seu cabelo e te faço tremer
eu me perco dentro do lençol
e você se perde toda pra mim
vem, tá na hora
não é errado, é pulsão, é deus, é eros;
não me pára; hoje ninguém te defende
você não tem braços
é essa noite que realizamos o sonho
eu sei os seus segredos mais profundos.
eu sei os seus segredos mais profundos
é você que gosta contra a parede, possuída
é você que tem as luvas pretas
e o lençol branco
você é quem vai ser, fantasia.
eu serei ele e você vênus de milo;
se despe que eu te espero
da cintura pra cima, só as luvas
e os seios de deusa, pra mim
é isso que você quer, eu quero
eu puxo o seu cabelo e te faço tremer
eu me perco dentro do lençol
e você se perde toda pra mim
vem, tá na hora
não é errado, é pulsão, é deus, é eros;
não me pára; hoje ninguém te defende
você não tem braços
é essa noite que realizamos o sonho
eu sei os seus segredos mais profundos.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
There she goes again
There she goes again...
Com aquele olhar assassino dela
Com aquele semi-cerrar matador
Atirando em todos que passam.
Um por um, eles caem
A cada centímetro que a sobrancelha (esquerda) levanta.
Ela assopra o cano, abre um semi sorriso
E laça a mulher atraente,
Que é devorada por um ávido desejo.
O duelo agora é entre elas,
Ardentes criaturas do ímpeto
Afoguem-se em tentáculos de luxúria!
Com aquele olhar assassino dela
Com aquele semi-cerrar matador
Atirando em todos que passam.
Um por um, eles caem
A cada centímetro que a sobrancelha (esquerda) levanta.
Ela assopra o cano, abre um semi sorriso
E laça a mulher atraente,
Que é devorada por um ávido desejo.
O duelo agora é entre elas,
Ardentes criaturas do ímpeto
Afoguem-se em tentáculos de luxúria!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Transição selvageria pacífica / barbárie predatória
Thorstein Veblen
Teoria da Classe Ociosa
Cap. I
As classes altas ocupam as funções meramente honoríficas da sociedade. Elas se excluem terminantemente de funções industriais, pois estas estão reservadas às classes inferiores, as quais, inicialmente, se incluíam escravos e mulheres. Essas ocupações da classe ociosa se subdividem em governamentais, guerreiras, religiosas e esportivas, qualquer atividade a mais iria contra o bom senso ou os costumes da comunidade.
As funções da classe mais baixa podem apresentar uma hierarquia à medida que a ocupação remeta mais ou menos diretamente às funções da classe ociosa, como a fabricação e cuidado de armas e objetos sagrados.
Os diferentes níveis hierárquicos da divisão do trabalho dizem respeito às fazes econômicas em que uma sociedade se encontra. À medida que as diferenciações são concretizadas e o trabalho se especializa, a linha entre funções industriais e não-industriais se define mais acentuadamente.
Em uma cultura mais “avançada” nesse quesito, apresenta-se também um caráter de competição e de inferioridade entre os sexos: o homem geralmente é dispensado das tarefas industriais, por participar mais ativamente de atividades como a guerra, que exige força e disposição à agressão – seu esforço não se equiparia ao trabalho rotineiro e não-digno feminino. As funções dignas são as não-servis, não-cotidianas.
Em culturas mais “primitivas”, pode-se observar uma diminuição ou mesmo ausência de hierarquias no grupo. A eficiência de um membro se dá pelo trabalho mais útil à comunidade, e a emulação é no serviço industrial. Seu sistema econômico não apresenta a propriedade individual como traço dominante. Muitas vezes isto é resultado de um retrocesso de um estágio mais avançado. Essa postura mais pacífica, todavia, torna a comunidade mais propensa a ataques agressivos.
Nesta transição da selvageria (“primitiva”) para a barbárie (“avançada”) deu-se início a instituição da classe ociosa. O que concretizou isto foi a adoção do modo de vida predatório – pois a força e o troféu (presa) passam a ser elemento de proeza – e a subsistência de modo a uma parte do grupo não precisar realizar grande esforço.
Vale ressaltar que o fundamento da discriminação se modifica de acordo com o interesse. Nos estágios primários o interesse era coletivo e, portanto, a proeza individual se concentrava nas tarefas cotidianas, para a sobrevivência da comunidade. Muda o fim e, com ele, o ponto de vista dominante, quando a cultura evolui. O senso comum gradualmente incorpora novos padrões com o tempo e deteriora antigos aos poucos.
Hoje (época do livro), para o senso comum, o esforço é industrial quando seu fim último é a utilização de objetos não-humanos, por meio da exploração do meio não-humano. É o conceito de domínio industrial sobre a natureza, que limita o homem da criação bruta. Outrora a relação de conflito se dava pelo homem e seu alimento, e, nos tempos modernos, por o que é animado e o que é inerte.
Tudo que é ativo e animado, na mentalidade bárbara, se equipara ao humano, com o qual ele lida de forma e de eficiência diferentes do que com o que é inerte: tais fenômenos defrontados, quando bem-sucedidos, são encarados como atividade digna e acima do comum.
Desse modo, o bárbaro se divide em classe da proeza – utilidades para seus próprios fins de energia – e classe da indústria – criação a partir da matéria bruta que lhe é dada e, portanto, menos digna. Essa distinção é reforçada principalmente quando se entra em contato com outros grupos.
Este habitat bárbaro, concentrado na força (caça a grandes animais, etc.), exige um maior contato com as virtudes masculinas, e desse modo se enraíza um processo cumulativo de adaptação seletiva: a função da mulher passa a ser “moldar” a matéria, na qual não há afirmação da força de forma vil, e a do homem, massacrar os concorrentes refratários, o que cabe à sua violência, sua natureza de agente. Daí se reforça o conceito de valia e honra.
Esta essência agente tem por objetivo um fim último, impessoal, que busca através de uma ação eficaz e com o menos esforço fútil ou desperdício. Isto pode ser denominado de “instinto de artesanato”. Entretanto, quando se insere no contexto uma comparação entre indivíduos, o resultado sempre será de luta, de demonstração competitiva de força. Este estímulo à emulação da sociedade predatória faz com que o fim último seja desviado para o sucesso por si próprio, e quem o obtém é prestigiado. Da mesma forma, quem não o obtém e se reduz ao trabalho industrial adquire caráter negativo. O trabalho prestado a outro implica na obtenção de bens que não se é dono, que não se “mereceu”.
A competição é a forma mais aceita de auto-afirmação pelo grupo, e a vitória – o ato honorífico reconhecido – se prova pela posse de troféus. Estes podem ser artigos prestigiosos, de maior custo. Logo, a sociedade atinge um estágio no qual a guerra não só é aceita, mas característica. A luta é inerente à história social humana, já que mesmo nas culturas mais “primitivas” e pacíficas havia uma competição entre sexos, mas é questionável o hábito de julgar os fatos sob o padrão da luta.
A diferença espiritual na transição entre a fase pacífica e a predatória coincidiu com o desenvolvimento industrial para além da subsistência, principalmente no uso de instrumentos. Nisso, havia agora uma margem pela qual se podia lutar. Daí desenvolve-se uma série de facilitações para a implantação do hábito predatório, como regras e normas que favorecem este modo.
Teoria da Classe Ociosa
Cap. I
As classes altas ocupam as funções meramente honoríficas da sociedade. Elas se excluem terminantemente de funções industriais, pois estas estão reservadas às classes inferiores, as quais, inicialmente, se incluíam escravos e mulheres. Essas ocupações da classe ociosa se subdividem em governamentais, guerreiras, religiosas e esportivas, qualquer atividade a mais iria contra o bom senso ou os costumes da comunidade.
As funções da classe mais baixa podem apresentar uma hierarquia à medida que a ocupação remeta mais ou menos diretamente às funções da classe ociosa, como a fabricação e cuidado de armas e objetos sagrados.
Os diferentes níveis hierárquicos da divisão do trabalho dizem respeito às fazes econômicas em que uma sociedade se encontra. À medida que as diferenciações são concretizadas e o trabalho se especializa, a linha entre funções industriais e não-industriais se define mais acentuadamente.
Em uma cultura mais “avançada” nesse quesito, apresenta-se também um caráter de competição e de inferioridade entre os sexos: o homem geralmente é dispensado das tarefas industriais, por participar mais ativamente de atividades como a guerra, que exige força e disposição à agressão – seu esforço não se equiparia ao trabalho rotineiro e não-digno feminino. As funções dignas são as não-servis, não-cotidianas.
Em culturas mais “primitivas”, pode-se observar uma diminuição ou mesmo ausência de hierarquias no grupo. A eficiência de um membro se dá pelo trabalho mais útil à comunidade, e a emulação é no serviço industrial. Seu sistema econômico não apresenta a propriedade individual como traço dominante. Muitas vezes isto é resultado de um retrocesso de um estágio mais avançado. Essa postura mais pacífica, todavia, torna a comunidade mais propensa a ataques agressivos.
Nesta transição da selvageria (“primitiva”) para a barbárie (“avançada”) deu-se início a instituição da classe ociosa. O que concretizou isto foi a adoção do modo de vida predatório – pois a força e o troféu (presa) passam a ser elemento de proeza – e a subsistência de modo a uma parte do grupo não precisar realizar grande esforço.
Vale ressaltar que o fundamento da discriminação se modifica de acordo com o interesse. Nos estágios primários o interesse era coletivo e, portanto, a proeza individual se concentrava nas tarefas cotidianas, para a sobrevivência da comunidade. Muda o fim e, com ele, o ponto de vista dominante, quando a cultura evolui. O senso comum gradualmente incorpora novos padrões com o tempo e deteriora antigos aos poucos.
Hoje (época do livro), para o senso comum, o esforço é industrial quando seu fim último é a utilização de objetos não-humanos, por meio da exploração do meio não-humano. É o conceito de domínio industrial sobre a natureza, que limita o homem da criação bruta. Outrora a relação de conflito se dava pelo homem e seu alimento, e, nos tempos modernos, por o que é animado e o que é inerte.
Tudo que é ativo e animado, na mentalidade bárbara, se equipara ao humano, com o qual ele lida de forma e de eficiência diferentes do que com o que é inerte: tais fenômenos defrontados, quando bem-sucedidos, são encarados como atividade digna e acima do comum.
Desse modo, o bárbaro se divide em classe da proeza – utilidades para seus próprios fins de energia – e classe da indústria – criação a partir da matéria bruta que lhe é dada e, portanto, menos digna. Essa distinção é reforçada principalmente quando se entra em contato com outros grupos.
Este habitat bárbaro, concentrado na força (caça a grandes animais, etc.), exige um maior contato com as virtudes masculinas, e desse modo se enraíza um processo cumulativo de adaptação seletiva: a função da mulher passa a ser “moldar” a matéria, na qual não há afirmação da força de forma vil, e a do homem, massacrar os concorrentes refratários, o que cabe à sua violência, sua natureza de agente. Daí se reforça o conceito de valia e honra.
Esta essência agente tem por objetivo um fim último, impessoal, que busca através de uma ação eficaz e com o menos esforço fútil ou desperdício. Isto pode ser denominado de “instinto de artesanato”. Entretanto, quando se insere no contexto uma comparação entre indivíduos, o resultado sempre será de luta, de demonstração competitiva de força. Este estímulo à emulação da sociedade predatória faz com que o fim último seja desviado para o sucesso por si próprio, e quem o obtém é prestigiado. Da mesma forma, quem não o obtém e se reduz ao trabalho industrial adquire caráter negativo. O trabalho prestado a outro implica na obtenção de bens que não se é dono, que não se “mereceu”.
A competição é a forma mais aceita de auto-afirmação pelo grupo, e a vitória – o ato honorífico reconhecido – se prova pela posse de troféus. Estes podem ser artigos prestigiosos, de maior custo. Logo, a sociedade atinge um estágio no qual a guerra não só é aceita, mas característica. A luta é inerente à história social humana, já que mesmo nas culturas mais “primitivas” e pacíficas havia uma competição entre sexos, mas é questionável o hábito de julgar os fatos sob o padrão da luta.
A diferença espiritual na transição entre a fase pacífica e a predatória coincidiu com o desenvolvimento industrial para além da subsistência, principalmente no uso de instrumentos. Nisso, havia agora uma margem pela qual se podia lutar. Daí desenvolve-se uma série de facilitações para a implantação do hábito predatório, como regras e normas que favorecem este modo.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Ao homem
São poucas, porém veementes, as qualidades que fez-se enquadrar o homem ao papel de dominador - interesses sociais privados à parte.
A mulher é, por razões óbvias, a obra prima mais inspiradora já esculpida; mas há alguma coisa nos homens. Algo em suas costas robustas e seus braços devoradores, sua libido insaciável que consome por inteiro, sua agressividade com que nos emprurram contra a parede e fazem de nós suas.
Eles podem não ter seios, curvas dignas de todas as poesias do mundo, ou mesmo a delicadeza e sensibilidade que nós temos. Mas homem é capaz de, com certos movimentos, dominar completamente qualquer mulher. Com uns certos toques, beijos, mordidas e seguradas, não importa seu nível de sensibilidade, inteligência ou interação - essas são coisas que determinarão se continua - no momento do fogo, com "a pegada", ela é sua...
A mulher é, por razões óbvias, a obra prima mais inspiradora já esculpida; mas há alguma coisa nos homens. Algo em suas costas robustas e seus braços devoradores, sua libido insaciável que consome por inteiro, sua agressividade com que nos emprurram contra a parede e fazem de nós suas.
Eles podem não ter seios, curvas dignas de todas as poesias do mundo, ou mesmo a delicadeza e sensibilidade que nós temos. Mas homem é capaz de, com certos movimentos, dominar completamente qualquer mulher. Com uns certos toques, beijos, mordidas e seguradas, não importa seu nível de sensibilidade, inteligência ou interação - essas são coisas que determinarão se continua - no momento do fogo, com "a pegada", ela é sua...
Marcadores:
agressividade,
domínio,
expressão,
homem
Assinar:
Postagens (Atom)