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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vaivém atrás da porta

quando você se foi
acompanhado pelo mestre de cerimônias
e me deixaste ali, no canto do salão
só e sóbria
não estava mais entre cem pessoas
elas fugiram; pr'uma realidade barrenta e confusa
onde nada importa a não ser futilidades
mas meu lugar não era ali.

chuviscos de rancor me transbordavam
pela sintonia rasgada (por medo)
um medo que virou resquício
(comparado ao da solidão)
...a pontada me atingiu novamente
e dessa vez sabia que algo estava errado.

então pensei: ora,
mas se tantos já encontraram equilíbrio por trás dessas portas
por que não eu?

Catarse

eu senti
senti tudo ao mesmo tempo
grama, roupas, peitos, sangue
com uma energia musical que me abraçava.
para acompanhar, me abracei
eu me senti...

não precisava de nada -
de tudo me bastava
no céu lá estava eu dançando ao movimento
das luzes espelhadas na água.
me unir àquela fonte, toque a toque:
uma magia de cada vez.
ao som de gritos ritmais, meus dedos se fundiam
à água, como nunca antes
seu sonho havia se realizado bem ali, noutra realidade
seres-filhos; finalmente
enquanto os vizinhos do primeiro andar
têm um orgasmo com a grama

o self vive uma aglomeração de mundos;
uma colcha de retalhos psíquico-sensoriais
que a incorpora com naturalidade
divagam assim entre os universos de cada detalhe
unindo-os, mestiço
totalidade -
será?

o boom se completa com a colisão
das bochechas de algodão com os cachos de anjo
se unem ao rosto, ao abdomem, às pernas
e descansam junto ao antes self
imersos no que agora sim é novo universo
misto: um.



(the great gig in the sky -)

Ter seios

os morros debaixo do meu pescoço são meus,
agarro-os; pois me pertencem
sinto-os, vivo-os
os dedos os beijam, da margem esquerda aos bicos
depois os dominam como todo
até a margem da direita,
que infla de prazer.

o sutiã os acompanham desde muito temprano
está na hora de desabrochar
venham, deixem o ninho
e sintam o que é ser mulher...
brinquem, abracem a liberdade
permitam-se
que seus (outros) donos cuidem
- tão bem quanto sua mãe, a rosa - :
é hora de render à fera.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Toque é momento

corre pra lá, corre pra cá
deita aqui, sente a água
a terra
o ar...
gira, gira
é o ar que se une a você
respira,
estende os braços e se enterra
na lama, na grama
pra sempre
e seja feliz

ou não

Eu e a grama.

eu e a grama
nos amamos como um poço.
ela e eu fomos feitos um pro outro;
e nunca mais há de nos separar.
orgasmo
atrás de orgasmo
e nada mais precisamos!